E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

domingo, 10 de junho de 2012

A Chave de um Coração - Capítulo 6


Capítulo 6

O celular de Caroline tocou. Ela acordou logo no primeiro toque, mas Débora continuou dormindo. Olhou o visor e ela não reconheceu o número.
Moshi-moshi. Quem fala?
− Ano... Karoru, é você?
− Quem é?
− Ah, gomen... É Matsumoto Jun.
Ao ouvir o nome, Carol despertou completamente e se sentou na cama. Olhou no relógio: 12h30. Ele ligara para chamá-las para o almoço.
− Já posso ir buscar vocês no hotel?
− Matsu... Jun... Matsujun, só um minutinho. Tenho que acordar Débora.
Carol levantou-se da cama e foi direto na cama da amiga. Tentava cutucar Débora, mas ela nem se mexia.
− Tenha calma. Eu e os meninos ainda estamos nos arrumando; daqui a 15 minutos está bom? Daí dá tempo de você acordá-la.
− 15 minutos? Hai, hai. Está bom.
Uhm. Jya ne.
Jya. – os dois desligaram ao mesmo tempo.
Carol sussurrou no ouvido de Débora “Vamos, acorde!”. A amiga abriu um olho e disse “Já ouvi!”. Vendo que a amiga estava de fato acordada, Carol foi ao banheiro para jogar uma água no rosto.
Dali a alguns segundos, Débora entrou atrás dela, que deixara a porta do banheiro aberta. Ela estava com a bochecha toda amassada e vermelha, pois dormira com o rosto apoiado na mão.
− O Jun ligou – disse Carol casualmente, enquanto secava o rosto com uma toalha.
− Agora é Jun né?? Hahahahaha – riu Débora, dando um empurrão com o ombro na amiga de leve.
− Ah, Dé! – Carol ficou toda vermelha e saiu do banheiro – Ele deve estar aqui dentro de dez minutos – gritou da porta do quarto – Apronte-se logo!
− Já to pronta! – Débora saiu do banheiro.
Ela foi até a bolsa, pegou um batom simples, cor neutra, e passou nos lábios em frente ao espelho que tinha no pequeno corredor que ia do banheiro à porta do quarto.
 – Quer? – e estendeu o batom a Caroline.
Esta pegou e foi até a frente do espelho.
− Agora vamos! – Carol puxou Débora pela mão para fora do quarto.
Desceram até a recepção e ficaram sentadas no sofá esperando eles chegarem. Dali a dois minutos, viram Matsumoto Jun estacionar o carro bem em frente à entrada; logo atrás estava outro carro. As duas pensaram ao mesmo tempo: “Deve ser de algum hóspede.”
Enquanto Caroline ficava em pé e ajeitava a bolsa no ombro, com Débora fazendo o mesmo, ele desceu do carro e adentrou o hotel. Com óculos escuros e um chapéu, desfilando com toda a pompa e circunstância, foi até as meninas e cumprimentou-as com um leve curvar de cabeça e um olá. Débora novamente o beijou na face.
− Vamos, Matsujun! Faça o mesmo! Carol, você também!
Mas Carol não conseguia parar de olhar para ele. Estava paralisada, perdeu completamente o raciocínio e não ouviu o que Débora disse. Como ele pode ser tão lindo? Andando desse jeito, parece uma divindade. Uma aura paira sobre ele, e meus olhos teimam em admirá-lo dos pés à cabeça.
Ela levou um enorme susto e foi bruscamente tirada de sua fantasia ao sentir lábios que tocaram sua pele suavemente na bochecha esquerda. Ela então se deu conta de quem a beijara: Matsumoto Jun.

***

Eis a cena que os quatro viram quando entram no hall do hotel: Jun beijando a face de uma garota mais baixa que ele e outra garota, essa da mesma altura dele, olhando a cara de espanto da primeira e rindo disfarçadamente. Eles simplesmente pararam e ficaram olhando, não sabendo se comentavam, se riam, se se apresentavam. Então preferiram ficar calados.
Mas logo Débora notou os observadores que tinham estacado há mais ou menos um metro de distância, tão “bem disfarçados” quanto o outro. Ela deu um grito. Um grito tão alto que cada par de olhos a um raio de 100 metros voltou-se para ela, mas como o hotel estava bem vazio, isso não quis dizer muita coisa. Jun imediatamente endireitou o corpo. Caroline, que se surpreendera totalmente com o que acabara de ocorrer – sim, ele a beijara! – levou a mão na bochecha e olhou em volta para descobrir o motivo do grito histérico.
Descobriu instantaneamente, assim que viu os quatro homens que estavam parados mais atrás. Nada menos que os demais membros do Arashi! Por Deus, ela quis gritar também, mas sua personalidade não permitia isso. Ela não era como a amiga, indiscreta e barulhenta, pelo contrário, Carol sempre fora conhecida por sua quietude e por ser tão retraída, às vezes sua presença chegava a nem ser notada.
E também estava ainda muito confusa e surpresa com o beijo. Mesmo que ligeiro, ela nunca esperava que acontecesse. Os japoneses não eram assim, ela sabia que não, e como nem ouvira os comentários de Débora, não entendia porque ele a beijara. Não vira que Jun cumprimentara sua amiga do mesmo modo depois de ter sido “repreendido” por esta.
Como então não podia gritar, somente sorriu encabulada e curvou a cabeça num tímido Hajimemashite.  Então o Riida, Aiba, Sho e Nino, e Jun com eles, caíram na gargalhada.
Débora imediatamente avançou até onde Nino estava e o agarrou pelo pescoço. Nessa hora, Carol cavaria um buraco e se enfiaria embaixo da terra, tamanha a vergonha que sentiu.
− Débora!!! Controle-se!!! – foi até a amiga e a puxou com força até ela soltar o pobre Kazunari, que sorria nervosamente, espantado com a reação da garota. As fãs japonesas não eram assim.
− Ai! – Débora se desvencilhou da mão de Caroline – Gomen nasai!!! – percebendo o que fizera, ela também teve vergonha.
Os outros ainda gargalhavam. Matsumoto foi o primeiro a controlar-se e fez as apresentações:
Minna, essas são as duas garotas que peguei hoje no aeroporto. Karorine-san – apontando para Carol, com certo receio de falar com tanta intimidade na frente de tanta gente – e Débora-san.
− Olá! – os quatro em uníssono.
Ohno Satoshi desu.
Aiba Masaki desu.
Sakurai Sho desu.
Ninomiya Kazunari desu.
E novamente em uníssono: − Hajimemashite!
Tudo não durou mais que cinco minutos e logo todos seguiram para os carros. Matsujun que escolhera o restaurante dessa vez, ele queria, de certa forma, surpreender as meninas e tornar a estadia delas no Nihon agradável. Era um luxuoso, mas confortável restaurante de frutos do mar. 
Nino achara que aquela era uma escolha muito cara. Para não dizer que ele estava com dó de gastar o seu dinheiro, deu a desculpa de que talvez as meninas não gostassem de um local assim tão chique nem desse tipo de comida ou elas não tinham tanto dinheiro para esbanjar.
Matsumoto afirmou, ainda quando estavam em seu precioso e raro momento de descanso, que uma vez em carta Caroline fora categórica ao afirmar que tanto ela quanto Débora gostavam muito de frutos do mar. E, no que dizia respeito a dinheiro, elas não teriam que se preocupar, porque ele pagaria, já que era a primeira refeição delas em Tóquio e ele queria que elas se sentissem bem e satisfeitas.

***

Carta de Caroline, outubro de 2011

Sabe o que eu e Débora amamos de fato? Comer naqueles restaurantes maravilhosos que só servem aquelas delícias marítimas, desde trutas, ostras, mexilhão e tudo o mais a que temos direito!
Pena que tudo é muito caro. Como não vivemos no litoral, comidas assim são luxo raro. Mas aproveitamos muito, sempre que temos oportunidade.
Se um dia eu for para o Nihon, quero ir a um restaurante desses.

***

Carta de Matsumoto, novembro de 2011

Como assim se você vier? É claro que um dia você virá! E nesse dia, pode deixar que com certeza eu a levarei a um restaurante delicioso que temos aqui. É uma delícia!

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